terça-feira, 10 de novembro de 2009

*1 - FAMÌLIA

Começo por tentar explicar o que é a minha família. Não é fácil arranjar uma palavra para os meus parentes mais próximos. Uma familia conservadora/moderna.

E atenção, quando falo em família, refiro-me apenas, aos meus pais, á minha irmã e sua filha, e aos meus avós paternos(os únicos que conheci).

A familia é o nosso conforto, a nossa segurança, a nossa protecção. Mas a minha, não é bem assim.

Meu pai foi um sujeito que nasceu numa familia pobre, cá no Porto. Num bairro social, foi o único de uma turma que teve a ambição de crescer, de dar conforto áqueles que iria amar. E lá conseguiu, graças ao desenvolvimento da indústria textil. Ganhou imenso, para que a familia que criou, nunca passasse as dificuldades que ele teve de encarar. A prova mais concreta, são os seus amigos, que não passam de pobres, que apenas dizem "ñunca tive oportunidades". Balelas, tretas, conversa. Tiveram, mas não quiseram saber, como muitos hoje não querem.

Meu pai foi um trabalhar nato, lutou como poucos. É essa a imagem que eu mais tenho dele. Até fazer 18 anos, nós não tinhamos grande vida em conjunto. Depois, com a falência do sector, veio para casa, desempregado. Podia ter continua no estrangeiro a trabalhar, mas pôs a familia e os que amava em 1º lugar.

Minha mãe, também é uma trabalhadora nata. É vendedora, um emprego bem pior que aquele que meu pai teve. Um cancro afastou-a do seu trabalho, e quase a matou. A ela e a mim. Fui o único que não chorei, quando esse acontecimento veio à tona. "Mais 2 meses e morria", dizia o médico como se nada tivesse acontecido. Mas voltou a trabalhar, ao mesmo trabalho, que a faz levantar das 5h até às 17h. Para não falar das lidas da casa, pois orgulha-se da grande dona de casa que é.

Minha irmã me criou. Mas simplesmente, ela para mim não existe. Algo muito complicado aconteceu com os anos. Dois irmãos que não se falam. Ela sempre foi esperta, sempre teve grandes notas. Até ter engravidado. COmo miuda calminha, sossegada e infeliz, que era, apenas o fez para chamar atenção de todos. E fez-lo. Aos 18 anos casou-se com um trolha, e teve um filha. Eu com 8 anos perdia quem me criou. Se calhar por isso, muito me revolucionei contra o mundo. Aos 28 decidiu-se dvorciar, tirar um curso, casar com um dos seus professores de gestão e agora vive numa mansão.

Minha sobrinha ficou a viver connosco. Uma miuda com um talento imparável, e muito inteligente. Campeã de patinagem artistica com 8 anos, os melhores clubes europeus a quiseram. Ela nao quis. Dedicou-se á escola. Ninguém a influenciou.

Os meus avós são duas pessoas memoráveis. Não são velhinhas como costumamos ver. Têm um amor eterno pela família que criaram. São pobres, mas mais felizes que muitos ricos. O meu avô com a quarta classe, é simplesmente o homem mais inteligente que conheço.

Toda a familia é dotada de razão, honestidade e inteligencia. Acreditem quando vos digo que é mesmo assim. Mas há algo que não existe: afecto. Nunca se demonstra, é proíbido. Ninguém chora, ninguém se queixa, ninguém diz que se ama, e muitos assuntos são "tabú".

Porquê? Não sei...

Intro

"É a vida" um blogue criado apenas para um desabafo de mais um ser humano. Um mundo que, ultimamente, esteve repleto de emoções, contradições, intrigas, manias, coragem, cobardia, amor, ódio, dor, sofrimento, paciencia e felicidade.
Um blogue que quer apenas desabafar com o mundo, uma mente que apenas se quer libertar para o universo, um ser que apenas deseja alcançar aquilo que todos os seres pretendem: felicidade.
Mas este sentimento difere por todos os "Homens". Difere, pois, todos eles têm sentidos diferentes do que é a felicidade. Do que é a realização do ser humano, do que é a vida. E pelo meio, as desilusões que outros humanos fazem-te sentir, é apenas obstáculos para a conclusão do "Homem" que vais ter de te tornar. Neste caso sou eu.
Ao longo desta jornada, vou tentar a minha vida actual por pontos. Vou tentar transmitir ao leitor, aquilo que sou e as experiencias de vida que eu passei...
Ah, e não se esqueçam, por nós passam pessoas e experiência psicológicas. Tem é que saber dividir, quem se engloba num grupo, ou quem se engloba noutro.